sexta-feira, 22 de março de 2013

XANGÔ REZADO ALTO

GetAttachment (2)

Xangô Rezado Alto reúne centenas de pessoas no Centro de Maceió

Evento lembrou os 101 anos do episódio chamado de "Quebra de Xangô", praticado em Maceió

DSCN0569_resizeReligiosos de matriz africana percorreram ruas do Centro de Maceió, na tarde desta quinta-feira (21), relembrando o episódio Quebra de Xangô, ato de violência praticado na madrugada do dia 1º para o dia 2 de fevereiro de 1912 contra as casas de culto afro-brasileiras de Alagoas. Promovido pela Universidade Estadual de Alagoas (Uneal), o cortejo reuniu centenas de representantes de casas de matriz africana na Praça Dom Pedro II, que saíram em direção à Praça Visconde de Sinimbu, onde aconteceu um ato público. O evento faz parte do projeto “Xangô Rezado Alto”.

O Reitor da Uneal, prof. Jairo Campos afirmou, em seu discurso, que a “Universidade Estadual de Alagoas, juntamente com as instituições colaboradoras e apoiadoras deste evento, e, principalmente com os religiosos/as de matriz africana, principais protagonistas desta celebração, está tomando a iniciativa de realizarmos, pela segunda vez, a celebração do Xangô Rezado Alto, enquanto um evento e uma celebração do que acreditamos ser, um marco na questão da Igualdade Racial em nosso Estado”, pontuou.

Para a secretária Katia Born, a segunda edição consecutiva do projeto Xangô Rezado Alto visa elevar a autoestima das populações afrodescendentes, principalmente provocar o debate em torno do respeito à cultura negra no Estado. Acompanhada do superintendente de Direitos Humanos, Geraldo Majella,GetAttachment Katia lembrou que, em 2012, o ano do centenário do Quebra, o governador Teotonio Vilela Filho assinou um pedido oficial de perdão do GetAttachment (1)Governo de Alagoas às comunidades de terreiros e a todo o povo de Alagoas pelas barbaridades cometidas em 1º de fevereiro de 1912.

A mãe de santo mais velha em atividade no Estado de Alagoas, a mãe Miriam, de 70 anos, foi um dia de muita alegria. "Nós estamos aqui para celebrar a liberdade e hoje podemos rezar alto e a cultura afro tem o direito de comemorar essa festa", disse.
Diversos grupos e artistas participaram do evento que foi encerrado por volta das 22 horas.

http://www.uneal.edu.br/sala-de-imprensa/noticias/xango-rezado-alto-reune-centenas-de-pessoas-no-centro-de-maceio

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

ATIVIDADE DA ABESJOBA NO FÓRUM SOCIAL MUNDIAL TEMÁTICO/2013

 

OFICINA PROVOCATIVA: desenvolvimento sustentável para um mercado negro

oficina provocativa titulo

por Ojuobá Richard Gomes

Diretor da ABESJOBA/Alagoas, coordenador do projeto Ajeun Ilera/Assobecaty, colaborador e coordenador da comissão de povos e comunidades tradicionais do Consea RS, conselheiro da saúde do município de Gravataí, multiplicador do projeto A cor da Cultura/Alagoas, produtor cultural da Oficina Madeira Rendada/Atelier Richard Nzazi, poeta nos intervalos...

Ago, descendentes de África,

Estou realizando uma oficina durante o Fórum Social Mundial Temático, que acontece em Porto Alegre, de 25 a 31 de janeiro deste ano de 2013.

A oficina traz ao debate pontos de interrogação que perturbam meu olhar aos acontecimentos cotidianos; e como bom aprendiz africanista, é a vivência que constrói meu conhecimento.

Diante disso, e da oportunidade que me foi criada pela Frente Nacional de Mulheres no Hip Hop, propus esta atividade interativa.

A oficina não pretende conceituar as causas da fome, da miséria, da situação da população ”em situação de vulnerabilidade” como está descrito em qualquer argumento que intencionam captar recursos advindos das ações executivas das políticas públicas; também não é um espaço para elogiar o governo federal ou qualquer governo, nem espaço para criticar suas inoperâncias.LOGO ABESJOBA base preta

No entanto, destacar, falar, pensar, elaborar sobre o que se quer quando falamos em etnodesenvolvimento, política para população negra, humanização da favela, universalizar a cultura afro, entre outras expressões, cujos resultados mais nobres levam a um mercado de exploração capitalista e a sua sustentação, não rompe com o processo histórico de subsocialização da cultura afrobrasileira.

Um discurso ideológico que conjuga em seu conteúdo, elementos que contradizem o padrão cultural estabelecido de pessoa, de beleza, de alimentação, da própria cultura, da criatividade, da pintura, de raiz, em fim, do ser, do fazer e do saber.

Sentimos seus efeitos capitalistadores de mentes nos afazeres do dia a dia como manifesta Mestre Renato Beaba em seu poema, comentado por mim na rede social:

image007

O afrodesenvolvimento como diretriz estratégica à conquista do nosso bem estar é, antes de tudo, entender que os povos tenham o controle dos seus recursos naturais, de suas organizações sociais, portanto para que essa pretensão aconteça, seu objetivo maior será a satisfação de necessidades básicas do maior número de pessoas, priorizar a visão e opinião das comunidades na busca de resoluções de problemas locais territoriais e recursos locais, relação equilibrada com o meio ambiente, promover uma ação integrada de base, valorizando atividades participativas e evitando a centralização das decisões, o que propõem uma outra compreensão de sistema, do qual as práticas ‘ideológicas” não estão dando conta no cotidiano. Aonde os valores civilizatórios que nossos ancestrais legaram, estão se moldando para “valores de captação de recursos”, a capoeira é a da academia, sem tradição; a religiosidade é comercial, até virtual; a fala tá virando livro e cdzinho pra velho ganhar àqüé; o comunitarismo só se manifesta em momento de adjó político... e a vivência é um show a parte, organizado por produtores contratados sem africanismo nem na unha.

“A oficina” é um ensaio de atividades objetivadas, compreendendo a organização de um empreendimento coletivo que tem como elemento pedagógico promotor da sequencia dialética prática-teoria-prática, onde o fazer exigirá permanentemente o saber, portanto a entrega teórica. É um processo de autocapacitação objetivada pela divisão técnica do trabalho, determinando a autogestão, a cooperatividade e a ação-saber, como gestores da intervenção local territorial.

Todos os convidados que receberem este convite, e por ventura aceitarem sua missão, estarão comprometidos em assumir sua tarefa no decorrer da oficina, que é de provocar o debate e promover a dúvida, pois nosso papel é de elaborar e para isso temos que questionar: por que? Para quê? O quê? Onde? Para onde? Por quem? Entre outras questões que venham a perturbar nossas mentes.

As políticas públicas supostamente “afirmativas”, somente promovem uma necessária ruptura com o modelo de desenvolvimento econômico concentrador e excludente, se houver ação afirmativa. Isto chama a sociedade para um debate acerca da “qualidade e quantidade” disponíveis do acesso a essas políticas ou ações de governos.

A inclusão produtiva é a mola mestra neste processo onde falamos em desenvolvimento socioeconômico. Entendemos que as políticas públicas são um fomento à estabilidade dos cidadãos que vivem nas comunidades e territórios, principalmente àqueles que estão em situação de fragilidade social. Quando dissertamos acerca de segurança/insegurança social, normalmente abordamos a quantidade e não a qualidade na ação da política e essa se torna paliativo assistencialista, na sua generalidade ativa, mesmo quando a política pública promove programas para intervenções no processo produtivo e de inclusão, nota-se a ausência de uma ação metodológica que acompanhe efetivamente o plano sistemático determinado. Nosso objeto de intervenção é pretenciosa no momento em que desafia os setores públicos e privados, neste especificamente os ditos dirigentes sociais, à ruptura com corporativismos funcionais e profissionais e venham investir esforço nessa ação, da inclusão produtiva transversal, intersetorial e sustentável. O mecanismo estratégico de desenvolvimento é, e a experiência comprova que a intersetorialidade, a diversidade e a equalização sustentável são o eixo que promove, qualifica e aperfeiçoa a ação pública.

A oficina realiza-se com o exercício prático-interativo, tendo como atividade objetivada a manipulação de fazeres, proporcionados pelos convidados e o facilitador; nesse processo da atividades produtiva ocorre o despertar da capacidade organizativa, tendo a entrega teórica temática como a identidade étnica e os valores civilizatórios afro-brasileiros e sua influência no cotidiano e como potencializar nossa criatividade afirmando nossas origens, memória e pertencimento. No fazer conversamos sobre a produção de motivos referentes às pessoas, convívio, cultura; falamos sobre etnia-raça, diversidade cultural gênero, sexualidade, temas que elevem o nível de conhecimento, consciência e interação social.cronograma

A proposta em si é realizar um ensaio de ação continuada para o desenvolvimento de um “mercado negro” não estereotipado e consolidante de resultados socioeconômicos aos coletivos que se desprenderem de suas correntes ideológicas conservantes.

Portanto, se você bate-tambor, penteia cabelo afro, pinta, molda, cozinha, reza, canta, brinca, ensina, administra, pratica...

Venha e interaja, somos negros em processo de enegrecimento

 

APOIO:

ASSOBECATY/RSABESJOBA/AL – PROJETO AJEUN ILERA

FRENTE NACIONAL DE MULHERES NO HIP HOP REGIONAL SUL

FLOR DO GUETO PRODUTORA

domingo, 12 de agosto de 2012

MULHERES DE TERREIRO, encontro na paraíba

Dias 11 e 12 de agosto, realizou-se em João Pessoa, Paraíba, o Encontro Nordestino de Mulheres de Terreiro. O encontro está na sua 3º edição, e  o fortalecimento das ialorixás, autoridades religiosas de matriz africana. A história do Brasil tem suprimido do seu ensino oficial a presença e contribuição dos negros escravisados, e por assim dizer toda a cultura e lendas vindas de África. Assim como hoje, há uma maior valorização para a cultura européia não se olha para as raízes. Os negros trouxeram os mitos e ritos d’África e encontraram no Brasil, que assim como na terra negra nativa, antes do “descobrimento”, já exitiam nas terras tropicais gente nativa com ritos e mitos, com espiritualidade e natureza próprias. E se reconeheceram_Brasil e África, África e Brasil.  E foram as mulheres africanas que trouxeram os contos e a memória ancestral para as terras brasileiras; e foram as mulheres indígenas que ao encontrarem-se com as negras, nos rios, a lavar suas roupas banharem-se nas cachoeiras de Iracema e nos rios de Iara, falaram de Oxúm e dos mares de Yemanjá.

Os valores ancestrais vivenciados nos ilês, os contos da preta velha, os primeiros passos, a primeira fala, são desígnios da mãe, da guardiã, da yá.

O valor e direitos das mulheres, seu papel  sóciocultural na formação do caráter do homem de matriz africana, seu espaço político na comunidade religiosa e na sociedade brasileira.

O Ilê Axé Xangô Aganju, esteve presente no encontro, sendo representado pela Yalorixá Marcelle Bulhões de Xangô, presidenta da ABESJOBA _Associação Beneficente São João Batista.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

ABESJOBA

LOGO ABESJOBA
A Organização Ilê Axé Xangô Aganjú, é denominada juridicamente como Associação Beneficente, Cultural, Educacional e Religiosa São João Batista, ou puramente ABESJOBA, com sede e foro em Maceió, Alagoas. Somos uma instituição civil, pessoa jurídica de direito privado que desempenha atividades assistenciais, culturais, educacionais e religiosas, amparada pelas Leis 12.288/2010, 4.898/1965 e Constituição Federal, sob a tutela da Lei Federal nº 10.406/02 e alterações, conforme art. 44, IV do Código Civil. orixas
A ABESJOBA tem por princípio a defesa de um modelo associativo sem privilégios, mas com características e especificidades inerentes aos Povos Tradicionais de Terreiro, onde os seus membros internos e freqüentadores passam a ser considerados Abọriṣá (aqueles que cultuam os Ọriṣás), não havendo, entre os beneficiários de seus serviços, qualquer distinção quanto à raça, etnia, religião, gênero e orientação sexual, ou qualquer outra forma de discriminação.
A finalidade principal da ABESJOBA é congregar seus associados para a defesa dos interesses da organização, o estudo, a prática e a difusão da doutrina espírita na concepção e cosmogonia afrobrasileira, nos seus mais diversos aspectos e origens, com base nos ensinamentos adquiridos e compartilhados, seja na sua oralidade ou em obras catalogadas existentes ou que venham a surgir, bem como congregar seus associados para a defesa dos interesses comunitários e de promover paralelamente atividades de caráter científico, social, cultural, educacional, desportivo, assim como defender o meio ambiente ou qualquer outro interesse coletivo lato sensu (difuso, coletivo e individual homogêneo), questões envolvendo a saúde individual e/ouDSC04932 coletiva, realizando o direito essencial a uma qualidade de vida sadia.
TEMOS COMO MISSÃO
I – representar e defender os direitos humanos, econômicos, sociais, individuais e coletivos, fundamentalmente, dos associados, perante qualquer dos poderes, em todos os níveis e instDSC04894âncias, judicial e extrajudicial;
II praticar a caridade espiritual, moral e material por todos os meios ao nosso alcance, dentro dos princípios da cosmogonia afrobrasileira e espírita;
 
III – promover união solidária das sociedades de religiosidad2011-12-08 14.28.26e afrobrasileira e espíritas e a unificação do movimento afrobrasileiro e espírita.
IV – promover o estudo e à prática das tradições da religiosidade afrobrasileira, no seu tríplice aspecto: filosófico, científico e místico, consoante os princípios éticos e morais já codificados e a serem codificados;
V - difundir a Doutrina da Matriz Africana e Afro-brasileira por todos os meios lícitos e compatíveis ao seu alcance;
VI - exercer atividades de natureza assistencial, cultural, educacional, religiosa e de promoção humana à luz das concepções da matriz africana e afro-brasileira e espírita, além da abordagem de questões correlatas à saúde, ecologia, meio ambiente e outros destinados aos Povos Tradicionais de Terreiro.DSC04979
VII – propor, executar e controlar políticas públicas  que fortaleçam o desenvolvimento sustentável respeitando a diversidade sóciocultural e a universalidade das relações humanas.